Morar na Espanha trabalhando para o exterior se tornou uma realidade consolidada em 2026. O Visto de Nômade Digital, criado para atrair talentos internacionais, passou por atualizações importantes neste ano, especialmente no que diz respeito aos valores de comprovação financeira e prazo para registro na “Seguridad Social”, caso venha como nômade digital na categoria de autônomo. Se o seu plano é estabelecer sua base em cidades como Madrid, Barcelona ou Valência, entender as novas exigências é o primeiro passo para o sucesso da aplicação.
O que mudou no Visto de Nômade Digital em 2026?
A base para o cálculo da renda mínima na Espanha é o Salário Mínimo Interprofesional, conhecido como SMI. Em fevereiro de 2026, o governo espanhol aprovou um novo reajuste que elevou esse valor. Como o visto exige que o trabalhador remoto comprove uma renda equivalente a pelo menos 200% do salário mínimo local, o montante necessário para a aprovação também subiu.
Este visto permite que profissionais estrangeiros residam legalmente no país enquanto prestam serviços para empresas fora da Espanha. A validade inicial pode chegar a três anos quando solicitada diretamente em território espanhol, sendo renovável até completar o período necessário para solicitar a residência permanente ou a cidadania.
Valores de renda mínima atualizados para 2026
Para garantir a aprovação, o solicitante precisa demonstrar ganhos mensais estáveis. O cálculo oficial considera o valor do salário mínimo distribuído em 12 parcelas anuais para chegar ao número final exigido pela imigração.
Exigência para o solicitante principal
Com o salário mínimo fixado em 1.221 euros (em 14 pagamentos), o valor de referência mensal para 2026 fica em torno de 1.424,50 euros. Portanto, o nômade digital que deseja aplicar sozinho deve comprovar uma renda bruta mensal de, no mínimo, 2.849 euros. Esse valor pode vir de contratos de trabalho (CLT), contratos de prestação de serviço ou faturamento de empresa própria.
Comprovação financeira para familiares
O visto permite o reagrupamento familiar, mas exige um acréscimo nos valores de renda. Para o primeiro dependente, como um cônjuge ou parceiro, é necessário comprovar 75% adicionais do SMI. Para cada membro extra da família, como filhos, a exigência é de 25% adicionais.
- Titular e um dependente: Aproximadamente 3.918 euros mensais.
- Titular e dois dependentes: Aproximadamente 4.274 euros mensais.
- Titular e três dependentes: Aproximadamente 4.630 euros mensais.
Regras de elegibilidade e trabalho remoto
Não basta apenas ter o dinheiro na conta ou um bom faturamento. O governo espanhol analisa o vínculo do profissional com as empresas e a natureza do trabalho realizado. Em 2026, a fiscalização sobre a veracidade dos contratos de prestação de serviço está mais rigorosa e o governo está exigindo que, em caso de autônomos, o registro na seguridad social seja feito logo após a concessão do visto.
Formação acadêmica e experiência profissional
O candidato deve provar que é um profissional qualificado. Isso pode ser feito através de um diploma de graduação ou pós-graduação em uma universidade de prestígio. Caso o profissional não possua diploma, é necessário comprovar pelo menos três anos de experiência profissional na área de atuação antes de realizar o pedido do visto.
Tempo de vínculo com a empresa
Um dos requisitos fundamentais é o tempo de relação com o empregador ou clientes. A empresa para a qual o nômade trabalha deve existir há pelo menos um ano. Além disso, o profissional precisa ter um vínculo de, no mínimo, três meses com essa fonte pagadora antes da solicitação. Outro ponto vital é a autorização explícita da empresa permitindo que o funcionário realize suas atividades de forma remota a partir da Espanha.
Obrigações fiscais do Nômade Digital
A primeira obrigação fiscal de um nômade digital autônomo que deseja trabalhar na Espanha é registrar-se como profissional que exerce uma atividade econômica. Esse registro deve ser feito tanto na Agência Tributária (Hacienda) quanto na Segurança Social.
Uma vez registrado, o nômade digital deve manter um controle rigoroso de suas finanças, incluindo o registro detalhado de todas as faturas emitidas e recebidas.
Uma dúvida comum entre nômades digitais autônomos é se devem emitir faturas para clientes no exterior. A legislação é clara: sim, é necessário emitir faturas. A Ley 28/2022, de 21 de dezembro, que promove o ecossistema de empresas emergentes, define em seu artigo 74bis os teletrabalhadores internacionais como aqueles que, sendo nacionais de um terceiro Estado, estão autorizados a permanecer na Espanha para exercer atividades laborais ou profissionais a distância para empresas localizadas fora do território nacional.
Portanto, é incoerente afirmar que não se exerce atividade econômica na Espanha se você reside e trabalha a partir de lá, independentemente de os clientes estarem no exterior. As regulamentações fiscais devem ser seguidas rigorosamente para evitar sanções ou problemas com a autorização de residência.
A normativa estabelece que a residência e o trabalho realizados na Espanha geram obrigações fiscais, mesmo que os rendimentos venham de fora do país.
Para nômades digitais que são empregados de empresas localizadas no exterior, existe a possibilidade de solicitar a Ley Beckham, que permite tributar os rendimentos a uma alíquota de 24% até o limite de 600.000 euros.
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